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08.06.2019 | 09h37
TJ cita risco às testemunhas e nega liberdade a genro de Arcanjo
Giovanni Zem Rodrigues é acusado de assumir jogo do bicho em Mato Grosso
Alair Ribeiro/MidiaJur
O empresário Giovanni Zem Rodrigues, preso na Operação Mantus
THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

O desembargador Rui Ramos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, negou pedido de liberdade ao empresário Giovanni Zem Rodrigues, acusado de liderar uma organização criminosa envolvida com lavagem de dinheiro e jogo do bicho em Mato Grosso. A decisão é de sexta-feira (07).

Giovanni foi preso no dia 29 de maio no Aeroporto de Guarulhos (SP), pela Polícia Federal, durante a Operação Mantus, da Polícia Civil.

Ele é genro de João Arcanjo Ribeiro, que também foi preso na operação. Conforme a investigação, Giovanni herdou a liderança do jogo do bicho em Mato Grosso após a prisão de Arcanjo, em 2003, passando a dividi-la depois de sua soltura, em 2018.

A defesa do empresário argumentou que a prisão dele foi baseada em um boletim de ocorrência registrado por Alberto Jorge Toniasso, no qual o juiz da 2ª Vara Criminal determinou a remessa ao Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCCO).

Nesse boletim de ocorrência, feito no dia 26 de dezembro de 2017, Alberto Jorge disse que foi conduzido ao Estacione Park, onde se encontrava Giovanni, e foi ameaçado por estar explorando o jogo do bicho em área que seria do ‘grupo do Arcanjo’.

“Assevera-se que o decisum objurgado se encontra desfundamentado e com fundamentação genérica e abstrata, pois o juízo singular ao reavaliar a prisão decretada em face do paciente, entendeu por mantê-la, sem qualquer fundamentação. Noutro ponto, afirma que não subsistem os requisitos autorizadores da decretação da prisão preventiva, devendo ser concedida a liberdade provisória do paciente com a imposição de medidas cautelares diversas da prisão”, diz trecho do habeas corpus.

Risco 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Rui Ramos Ribeiro

O desembargador Rui Ramos, que negou liberdade a empresário

Em sua decisão, o desembargador afirmou que a prisão do empresário foi decretada após inquérito policial que deu origem a Operação Mantus. Ou seja, fatos diversos daqueles investigados no mencionado boletim de ocorrência.

Rui Ramos afirmou que a prisão de Giovanni se faz necessário para evitar a reiteração delitiva, uma vez que, além dele ser contumaz na prática das infrações penais de organização criminosa, lavagem de dinheiro e exploração de jogo do bicho, é conhecido da Justiça criminal pela prática de diversos e variados outros crimes.

O desembargador ainda lembrou que a organização chefiada por Giovanni e Arcanjo é estruturada, com divisão de tarefas e hierarquia, "de modo que a prisão preventiva assegurará a devida colheita de provas, sem a interferência por parte dos implicados, viabilizando a colheita de novas provas, possibilitando a descoberta de novos crimes ainda não identificados e praticados pelas organizações criminosas, quiçá com a participação de agentes públicos".

Rui Ramos também destacou que a organização criminosa se vale de práticas violentas, como a extorsão mediante sequestro e ameaças, para manter o monopólio da região comandada.

"Concernente ao elemento justificador, arrimou a prisão cautelar na garantia da ordem pública, garantia da instrução processual penal e garantia de aplicação da lei penal, ante a necessidade de resguardar a integridade física ou psíquica das testemunhas, haja visto que, em tese [...] há a possibilidade concreta de utilização dos métodos brutais para intimidar eventuais testemunhas”, afirmou.

Indiciamento

Na última sexta-feira, a Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou João Arcanjo Ribeiro, o genro dele, Giovanni Zem Rodrigues e outras 31 pessoas suspeitas de integrar duas organizações criminosas investigadas em crimes de lavagem de dinheiro oriundo da contravenção penal do jogo do bicho.

Eles foram indiciados pelos crimes de organização criminosa, extorsão, extorsão mediante sequestro, lavagem de dinheiro e contravenção penal do jogo do bicho.

De acordo com as investigações, uma das organizações era chefiada por João Arcanjo Ribeiro e por Giavanni Zem. A segunda organização era comandada por Frederico Müller Coutinho.

Ainda segundo as investigações, em pouco mais de 1 ano, os dois grupos criminosos - que disputavam território em Mato Grosso - movimentaram mais de R$ 20 milhões em contas bancárias.

A Operação Mantus, deflagrada no dia 29 de maio, prendeu 29 pessoas, de um total de 33 mandados de prisão preventiva e 30 de busca e apreensão domiciliar.

As ordens judiciais foram expedidas pelo juiz da 7ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá, Jorge Luiz Tadeu.

Leia mais: 

Polícia indicia Müller, Arcanjo, genro e mais 30 por jogo do bicho


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