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12.06.2019 | 15h27
“Querem fragilizar um juiz que colocou criminosos na prisão”
Procurador de Justiça afirma que conversas entre juiz federal e MPF são vistas com naturalidade
Alair Ribeiro/MidiaJur
O procurador de Justiça Paulo Prado
CÍNTIA BORGES E THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

O ex-chefe do Ministério Público Estadual, procurador de Justiça Paulo Prado, avaliou que o vazamento de conversas entre o ex-juiz federal Sérgio Moro e o procurador da República, Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, é uma forma de “fragilizar” a imagem do atual ministro da Justiça.

Nesta semana, reportagens com mensagens trocadas entre Moro e Dallagnol foram publicados pelo site "The Intercept Brasil". Conforme o site, Moro teria orientado as investigações da Lava Jato em Curitiba, sugerido que o procurador trocasse a ordem de fases da operação, além de ter dado conselhos e pistas informais de investigação. Tudo isso por meio de mensagens trocadas por meio do aplicativo Telegram.

Para Prado, a prisão dos alvos da Lava Jato foram realizadas mediante provas e endossadas pelos Tribunais de Justiça. No entanto, o vazamento das conversas neste momento político, quando Moro ocupa o cargo de ministro da Justiça e propôs o Pacote Anticrime, seria uma tentativa de descredibilizá-lo e até levar ao seus afastamento do cargo.  

“Temos que tomar cuidado, porque que no período em que se está discutindo aprovação da [reforma] da Previdência e o Projeto de Lei Anticrime, querem fragilizar a figura de um juiz que em tão pouco tempo colocou tantos criminosos atrás das grades. Quem garante que esses diálogos não estão sendo montados, que foi realmente isso, se estão contextualizados de maneira correta?”, indagou o procurador de Justiça.

Temos que tomar cuidado, porque que no período em que se está discutindo aprovação da [reforma] da Previdência e o Projeto de Lei Anticrime, querem fragilizar a figura de um juiz que em tão pouco tempo colocou tantos criminosos atrás das grades

“Precisamos ter muita cautela no momento em que o Brasil e o povo brasileiro quer que o Projeto Anticrime seja aprovado, quer que muitas medidas saiam do papel. Um ministro forte pode, de uma hora para outra, ter até pedido de afastamento. Tudo isso precisa ser muito bem pensado”, completou.

O procurador de Justiça afirmou, ainda, que as conversas entre juiz, procuradores e outras partes do processo são vistas com naturalidade no meio jurídico, principalmente quando se deseja “pegar criminosos”.

Diálogos

Entre os alvos da Lava Jato está o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva - condenado a 8 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro - e o ex-deputado federal José Dirceu condenado a 23 anos.

“Acontece principalmente quando queremos pegar criminoso, principalmente quando a gente quer que o povo brasileiro se livre de corruptos. É normal. O diálogo é algo que existe entre as pessoas. Se conversa com delegado, com advogado, com os réus”.

“O que temos que reconhecer é que 142 criminosos corruptos, que surrupiaram o dinheiro público, estão processados. Que R$ 1 bilhão, que deveria ir para a Educação e para hospitais que estão depauperados, foram recuperados, e inúmeras delações foram realizadas com criminosos confessando seus crimes e entregando outros criminosos”, completou.

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