Artigos
  • RENATO GOMES NERY
    Prestigia-se o atraso, em detrimento da evolução, e o crime em prejuízo da punição
  • VICTOR MAIZMAN
    A extinção do seguro obrigatório confirma a voracidade do Poder Público
/ PROPINA NO PAIAGUÁS

Tamanho do texto A- A+
31.10.2019 | 10h57
Silval exigiu R$ 8 mi, mas aceitou receber R$ 5,6 mi de empresário
MPE denunciou esquema e acusou seis pessoas, entre elas ex-secretários e o dono da Frialto
Alair Ribeiro
O ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa
THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

O ex-governador Silval Barbosa exigiu uma propina de R$ 8 milhões do empresário Milton Bellincanta, para conceder incentivos fiscais as suas empresas, a Vale Grande Indústria e Comércio de Alimentos (Frialto) e Nortão Industrial de Alimentos.

O empresário, porém, argumentou que o valor era muito alto e não tinha condições de pagar. Após negociações, conseguiu uma redução do valor para R$ 5,6 milhões.

Desse total, Bellincanta pagou apenas R$ 1,9 milhão. Por conta disso, recebeu várias ameaças do ex-governador para quitar o valor remanescente, de R$ 3,6 milhões, chegando a afirmar: "isso não vai ficar bom pra você”. 

A informação consta na denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra Silval, Bellincanta, Antonio Barbosa (irmão de Silval) e os ex-secretários de Estado Pedro Nadaf e Marcel de Cursi pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Também foi denunciado o procurador aposentado do Estado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o “Chico Lima”.

Reunião

De acordo com a denúncia, Milton Bellincanta revelou que após uma reunião com Silval Barbosa e os demais denunciados no Palácio Paiaguás, onde foi firmado o contrato para a concessão dos incentivos fiscais, foi surpreendido com a solicitação do pagamento de vantagem indevida no valor de R$ 8 milhões.

Segundo o empresário, Silval afirmou na ocasião que o valor seria destinado aos membros do Governo que estavam auxiliando na concessão dos incentivos, ou seja, Marcel de Cursi, Francisco Lima e Pedro Nadaf.

Após negociações, o valor da propina, conforme o MPE, foi reduzido para R$ 5,6 milhões.

“Assim, ante a concordância do empresário em realizar o referido pagamento, o denunciado Silval Barbosa chamou o denunciado Pedro Nadaf em seu gabinete e lhe informou, que o empresário devia-lhe a importância de R$ 5,6 milhões e que, portanto, providenciasse a forma de recebimento”, diz trecho do documento.

“Em seguida, o empresário acompanhou Pedro Nadaf até seu gabinete na Casa Civil, local onde ajustaram que o pagamento da vantagem indevida solicitada se daria no período de 12 meses, portanto, extrapolando inclusive o término do mandato de Silval Barbosa”, completa o documento.

Segundo a denúncia,  até dezembro de 2014, o empresário pagou R$ 1,9 milhão de propinas para o grupo criminoso.

Ele deixou de quitar o restante, conforme o MPE, porque, em janeiro de 2015, já no Governo Pedro Taques, a Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso ingressou com Ação Declaratória de Nulidade de Ato Jurídico para buscar a anulação judicial do acordo celebrado.

Fac-síimile de trecho da denúncia:

propina

 

Leia mais: 

MPE denuncia Silval e mais 5 por propina milionária em incentivos


Voltar   

Nenhum Comentário(s).
Preencha o formulário abaixo e seja o primeiro a comentar esta notícia
Comente está matéria

Confira também nesta seção:



Copyright © 2019 Midia Jur - Todos os direitos reservados
Trinix Internet