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31.10.2019 | 16h24
Ex-Metamat comprou R$ 850 mil em ouro com dinheiro de esquema
Esquema foi denunciado pelo MPE; empresa Frialto pagou R$ 1,9 milhão para obter incentivos fiscais
Alair Ribeiro
João Justino Paes de Barros: ex-Metamat
DOUGLAS TRIELLI
DA REDAÇÃO

A investigação que culminou na denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra Silval Barbosa e outros cinco acusados de participar de um esquema milionário de lavagem de dinheiro, por meio de pagamento de propina do frigorífico Frialto, teve início com uma delação premiada feita pelo ex-presidente da Metamat (Companhia Mato-grossense de Mineração), João Justino Paes de Barros.

Também foram denunciados Antonio Barbosa; os ex-secretários de Estado Pedro Nadaf e Marcel de Cursi; o procurador aposentado Francisco de Andrade Lima Filho, o “Chico Lima”, e o empresário Milton Luís Bellincanta, da Frialto e Nortão Industrial de Alimentos.        

A delação de João Justino foi homologada em 13 de outubro de 2016. Ele relatou ao MPE que recebeu de Pedro Nadaf valores em dinheiro, pagos pelo empresário Milton Bellincanta, sócio da Frialto.

Para ocultar a natureza criminosa do dinheiro e a identidade dos beneficiários, ele revelou que comprou ouro, de modo irregular, na cidade de Peixoto de Azevedo (a 675 km de Cuiabá).

O empresário Bellincanta afirmou que repassou a João Justino, em três ocasiões, valores que somados totalizaram R$ 850 mil.

Em duas ocasiões, foram repassados R$ 300 mil e, numa terceira, R$ 250 mil. Justino confessou que recebeu o valores em Sinop – duas vezes na sede da Frialto e uma vez o aeroporto do município.

Segundo a denúncia, essa lavagem de dinheiro é objeto de outra ação penal, que tramita na 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

Fac-símile de trecho da denúncia:

Reprodução

MPE - Frialto

 

O Pedro [Nadaf] sempre dizia que representava um grupo de empresários. Depois, uma vez, ele disse que o Marcel de Cursi também estava interessado. No total, acredito que foram 10 kg de ouro que comprei para eles. Mas eu não sabia que o dinheiro que eles me davam era ilícito

Propina de R$ 1,9 milhão

Os detalhes do esquema ficaram mais claros com outra delação, de Milton Bellincanta. Ele entregou às autoridades comprovantes dos pagamentos de propina, que totalizaram R$ 1,9 milhão.

Na delação, o empresário admitiu que agiu para dissimular os pagamentos e apresentou documentos ilustrando o delito.

O MPE ressalta que Pedro Bellincanta, filho de Milton, também fez delação, sendo que ele apenas agiu atendendo aos pedidos do pai, “não concorrendo de forma efetiva para a prática dos ilícitos”.

Silval, Nadaf e Antônio Barbosa também confessaram participação no crime, por meio de delação.

Compra de ouro em outro esquema

O ex-presidente da Metamat também confessou que comprou barras de ouro em outras ocasiões, para Nadaf e Marcel de Cursi.

Em um depoimento à Justiça, em julho de 2017, ele revelou que utilizava um avião fretado da empresa aérea “Abelha” para ir até Peixoto de Azevedo comprar as barras de ouro.

O dinheiro utilizado nas compra foi obtido por meio da propina recebida em um esquema de desapropriação da área conhecida como Jardim Liberdade, em Cuiabá, na gestão de Silval, que teria lucrado R$ 15,8 milhões.

“No caso especifico desse terreno, eu tenho muito pouco a dizer porque não sei quase nada, só sei pela mídia. Só sei da compra do ouro. Eu era presidente da Metamat e ia quase sempre para o interior. Então, uma vez conversando com o Nadaf, falei a respeito do minério. Ele disse que ia ver, coisa e tal, e numa oportunidade ele disse que tinha interesse em comprar".                    

"O Pedro sempre dizia que representava um grupo de empresários. Depois, uma vez, ele disse que o Marcel de Cursi também estava interessado. No total, acredito que foram 10 kg de ouro que comprei para eles. Mas eu não sabia que o dinheiro que eles me davam era ilícito", afirmou.

O ex-presidente da Metamat disse que ganhou R$ 20 mil pela encomenda, valor que devolveu aos cofres públicos no acordo de delação. 

"Eu ia de avião, ligava para os garimpeiros, encomendava e ia buscar, depois voltava. Era muito fácil comprar o ouro lá, pegava direto do garimpo. Aquela época, entre 2014 e 2015, a região de Peixoto de Azevedo estava famosa por causa do ouro".

Fac-símile de trecho da denúncia:

Reprodução

MPE - compra de ouro

 

Ouro na mochila e na Casa Civil

João Justino relatou que, na última vez que foi comprar ouro aos ex-secretários, ao retornar de viagem, Marcel de Cursi já estava o esperando no hangar da Companhia Aérea Abelha.

"Eu entreguei o ouro numa mochila para ele lá. Era cerca de 4 a 5 kg, salvo engano. Quem me entregou o dinheiro para comprar o ouro foi o Nadaf, mas eu entreguei dessa vez na mão do Marcel", explicou.

"Eu não me lembro porque exatamente o Marcel foi buscar esse ouro no aeroporto. Não sei se o Nadaf estava viajando, não lembro, mas deve ser por conta da quantidade também do ouro. Essa foi a última compra que fiz e a maior. Esses 4,5 kg de ouro hoje dá em torno de R$ 700 mil. Deve ser por isso que ele quis buscar pessoalmente".

Em relação ao ouro encomendado por Nadaf, João Justino contou que fazia as entregas na própria Casa Civil.

"Quando a quantia era maior, entregava na garagem da Casa Civil, mas quando era menor, eu entregava na sala dele mesmo", afirmou.


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