Artigos
/ CRIMES FINANCEIROS

Tamanho do texto A- A+
29.11.2019 | 17h38
Empresário diz que empréstimos bancaram campanhas políticas
Ulisses Vigano ainda citou participação de Ságuas Moraes e Vilceu Marchetti no esquema
Arquivo MidiaJur
O ex-prefeito de Sinop e atual deputado federal Juarez Costa
THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

O empresário Ulisses Vigano Júnior, um dos proprietários da Construtora Consnop Construções Civis, afirmou em depoimento que realizou empréstimos fraudulentos com o Bic Banco, entre 2006 e 2009, no valor de R$ 4,3 milhões, orientado pelo ex-secretário de Educação Ságuas Moraes e ex-secretário de Infraestrura, Vilceu Marchetti, já falecido.

Segundo ele, os empréstimos foram utilizados para bancar campanhas eleitorais, entre elas a do ex-deputado estadual Dilceu Dal’Bosco e do ex-prefeito de Sinop e atual deputado federal Juarez Costa (MDB).

A informação consta na denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o empresário, o ex-presidente e ex-superindente do Bic Banco José Bezerra Menezes e Luiz Carlos Cuziol, respectivamente, o ex-secretário de Fazenda (Sinfra) Eder Moraes e outras 12 pessoas pelos crimes de gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro.

Foram várias pessoas, eu peguei empréstimos orientados pelo Ságuas Moraes, da Seduc, pelo falecido Vilceu Marchetti, o secretário dele lá, o Ezequiel de Lara [adjunto de Marchetti], para deputados que precisavam de dinheiro lá para campanhas

“Foram várias pessoas, eu peguei empréstimos orientados pelo Ságuas Moraes, da Seduc, pelo falecido Vilceu Marchetti, o secretário dele lá, o Ezequiel de Lara [adjunto de Marchetti], para deputados que precisavam de dinheiro lá para campanhas, eles chegavam lá com a carta, o Dilceu Dal Bosco, o ex-prefeito de Sinop Juarez Costa, para vários deputados foi feito a pedido do Governo, o governador Silval Barbosa na época era vice do Blairo (…) tinha secretarias que eu pegava cartas que eu nem tinha contrato com o Governo”, diz trecho do depoimento do empresário .

Segundo Ulisses, o empréstimo fraudulento foi a condição fixada pelo ex-deputado Dilceu Dal’Bosco para que a Consnop fosse contrata para fazer obras para o Governo.

Para realizar o empréstimo, segundo o MPF, a Sinfra concedeu à construtora direitos creditórios de serviços de engenharia executados em obras públicas no Estado.

Direitos creditórios são os valores ou direitos que já foram reconhecidos, mas que ainda não estão disponíveis. Ou seja, é um dinheiro ao qual a pessoa ou empresa já sabe que tem direito, mas ainda não recebeu. No caso investigado, eles eram dados como garantia de pagamento de operações financeiras.

No entanto, conforme o Ministério Público Federal, esses direitos creditórios eram considerados inidôneos, uma vez que os contratos de prestação de serviços vinculados a eles, e que consequentemente garantiriam o pagamento do contrato, não existiam.

“Eu tinha uma empresa em Sinop que não fazia obras públicas, aí e fui procurado pelo deputado Dilceu Dal Bosco e pelo Junior Leite (…) e me disseram o seguinte, você quer fazer obra no governo, a condição é esta você pega, vai lá no BIC, abre um cadastro lá, troca uma carta que nós garantimos obras para vocês”, afirmou o empresário.

“Eu fui lá, me apresentei com o Luis [Carlos Cuziol], na época era Superintendente, eles pegaram uma carta, que essa carta eu não tinha nem um contrato com o Governo, me deram uma carta assinada pelo Vilceu, o Bic Banco trocou e eu repassei o dinheiro para eles, e aí começou as obras (…)” acrescentou Ullises.

Divulgação

dilceu_dalbosco.jpg

O ex-deputado estadual Dilceu Dal'Bosco que foi citado em depoimento de empresário

A denúncia

Também foram denunciados no esquema, a outra proprietária da Consnop Salomoni Palagi Viganó, o ex-gerentesdo Bic Banco Hermes Rodrigues Pimenta e Elisa Shigeko Kamikihara Kochi e os ex-membros do Comitê Superior de Crédito Khalil Kfouri, Sérgio Marubayashi e Carolina Kassia Cocozza Fonseca Yamanaka.

Além deles, também foram denunciados o ex-secretário-adjunto de Gestão Sistêmica da Sinfra Ezequiel de Jesus de Oliveira Lara e o ex-superintendente administrativo e financeiro do órgão, Paulo da Silva Costa. 

A denúncia, feita em agosto pela procuradora da República Vanessa Scarmagnani, ainda está pendente de análise da Justiça Federal. 

Leia mais: 

MPF denuncia dirigentes do Bic Banco, ex-Sefaz e empresários


Voltar   

Nenhum Comentário(s).
Preencha o formulário abaixo e seja o primeiro a comentar esta notícia
Comente está matéria

Confira também nesta seção:



Copyright © 2019 Midia Jur - Todos os direitos reservados
Trinix Internet