Artigos
  • GUSTAVO GUILHERME ARRAIS
    Com o julgamento da ADI 3572 e do RE 759.244, como fica o passivo do Funrural?
  • GONÇALO ANTUNES DE BARROS
    Em configurações cada vez mais velozes, a vida está sendo reprogramada
  • DANIELE FUKUI
    Discussão sobre a inconstitucionalidade e ilegalidade do Fethab no STF
/ ALVOS DE OPERAÇÃO

Tamanho do texto A- A+
04.02.2020 | 17h54
STJ volta a adiar decisão sobre retorno de conselheiros do TCE
Conselheiros estão fora do cargo desde 2017, após a deflagração da Operação Malebolge
Lucas Pricken/STJ
Os conselheiros afastados do TCE-MT
THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) adiou, mais uma vez, o julgamento dos recursos que pedem o retorno dos cincos conselheiros afastados do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). O julgamento estava marcado para ocorrer nesta quarta-feira (5) às 14h.

A decisão, do ministro Raul Araújo, relator dos recursos, foi tomada para que os conselheiros afastados juntem nos autos suas declarações de bens e rendimentos apresentados à Receita Federal relativas ao exercício de 2019.

O julgamento foi remarcado para a sessão do dia 19 de fevereiro.

José Carlos Novelli, Sérgio Ricardo, Valter Albano, Antônio Joaquim e Waldir Teis foram afastados em 2017 por determinação do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante a Operação Malebolge, 12ª fase da Ararath.

Os recursos estão aptos para ser julgado desde outubro do ano passado, mas já foram adiados por quatro vezes.

O penúltimo adiamento ocorreu no dia 4 de dezembro, devido a um pedido de suspeição contra o ministro Raul Araújo, relator dos recursos.

O presidente do STJ, ministro João Otávio de Noronha, porém, rejeitou o pedido de suspeição. Segundo o magistrado, o autor não demonstrou legitimidade.

Os conselheiros são acusados de aceitar propina de R$ 53 milhões do ex-governador Silval Barbosa em troca de pareceres favoráveis às contas do político, bem como não colocarem entraves no andamento das obras da Copa do Mundo de 2014.

Além do recebimento de propina, o afastamento do conselheiro Sérgio Ricardo também foi baseado na acusação de compra de vaga no TCE por R$ 12 milhões, adquiridos por meio de ilícitos – por este fato, ele já estava afastado do cargo desde o início daquele ano, após decisão da Justiça Estadual.

Suposta propina

O suposto pagamento de propina teria se originado em 2013, em razão de indícios de falhas na execução do Programa MT Integrado, que previa a execução de obras de infraestrutura no Estado.

De acordo com o ex-governador Silval Barbosa, a arrecadação da propina ocorreu de três formas. A primeira por intermédio da empresa Gendoc Sistemas e Empreendimentos, com o retorno de valores estabelecidos no contrato com o Governo do Estado no valor de R$ 10 milhões. A Gendoc atua no ramo de gestão documental e mapeamento de processos.

A segunda forma foi por meio do alegado retorno – ou propina – na concessão de créditos tributários para o Grupo Martelli, que atua no ramo de transportes, no valor de R$ 6 milhões.

A última forma de arrecadação de propina teria ocorrido, segundo Silval, quando da desapropriação do Bairro Jardim Renascer, no valor aproximado de R$ 33 milhões, pagos pelo Estado à Provalle Incorporadora.

O TCE-MT, em âmbito administrativo, arquivou o caso por falta de provas contra os conselheiros.

Em oitiva realizada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), em setembro do ano passado, o ex-secretário Pedro Nadaf apresentou versão semelhante a de Silval, porém, com algumas disparidades nos valores.

O ex-chefe da Casa Civil disse que o esquema foi proposto pelo conselheiro José Novelli, que presidia o TCE, na época. O acerto com o ex-governador consistiria em pagamento mensal de R$ 3,5 milhões em propina, durante 14 meses. Os valores seriam divididos entre os cincos conselheiros.

Na versão de Nadaf, a propina teria não só o intuito de garantir a aprovação das contas de Silval e a manutenção das obras do MT Integrado e da Copa, mas também impedir que o TCE-MT fiscalizasse irregularidades em incentivos fiscais.

As entregas das propinas, segundo Nadaf, eram feitas pelo ex-secretário de Planejamento, Arnaldo Alves. Já o conselheiro afastado Sérgio Ricardo e o então secretário de Finanças do TCE, chamado apenas de “Adejair”, seriam os responsáveis por receber os valores e distribuí-los aos conselheiros.


Voltar   

Nenhum Comentário(s).
Preencha o formulário abaixo e seja o primeiro a comentar esta notícia
Comente está matéria

Confira também nesta seção:



Copyright © 2020 Midia Jur - Todos os direitos reservados
Trinix Internet