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22.06.2020 | 16h18
Maluf: “Bolsonaro politizou pandemia e quis impor suas vontades”
Presidente do Tribunal de Contas também diz que parte da população "acha que está de férias"
Thiago Bergamasco/TCE-MT
Guilherme Maluf, presidente do TCE-MT
CAMILA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

O presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheiro Guilherme Maluf, teceu críticas ao comportamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em meio à pandemia da Covid-19 (novo coronavírus).

Para Maluf, que é médico com especialidade em cirurgia-geral, houve uma politização desnecessária em torno do assunto, a ponto de o presidente querer impor suas vontades em detrimento daquilo que era recomendado pelas autoridades de Saúde.

“O presidente, infelizmente, politizou demais essa questão. Ao invés de deixar que o Ministério da Saúde tomasse seus encaminhamentos, quis colocar sua vontade, sua opção terapêutica por determinados medicamentos. Mas as coisas não funcionam assim”, disse.

Ao invés de deixar que o Ministério da Saúde tomasse seus encaminhamentos, ele quis colocar sua vontade, sua opção terapêutica por determinados medicamentos. Mas as coisas não funcionam assim

“A opção terapêutica tem que ser de responsabilidade do médico, de quem está atuando no tratamento dos pacientes”, acrescentou.

As declarações foram dadas em entrevista ao MidiaNews, por meio de uma live feita nas redes sociais, na última semana.

Na ocasião, Maluf disse que caberia ao presidente, por exemplo, ampliar a política de assistência farmacêutica para que os remédios pudessem chegar às Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs).

Segundo ele, em Mato Grosso, boa parte das UTIs não consegue ter acesso aos melhores remédios para tratamento da pandemia.

“Isso é uma grande falha de política de saúde. Antivirais que são necessários, antibióticos de última geração... O Ministério da Saúde deveria ter feito a importação, estimulado laboratórios a produzir, para que chegasse às prateleiras das UTIs. Aí, a condição de uso ou não é uma prerrogativa do médico que está fazendo a assistência”, afirmou.

O presidente do TCE disse, também, ter a impressão de que os debates em torno da pandemia ficaram polarizados na existência ou não de leitos de UTI, além do uso ou não de cloroquina, quando o debate deveria ser mais amplo.

“População não entendeu o isolamento”

Ainda durante a entrevista, o Maluf também criticou o comportamento da população diante da crise sanitária que o País atravessa e que já fez mais de 46 mil mortes no Brasil.

“A população não entendeu muito bem o isolamento social, que é uma ferramenta importantíssima por se tratar de uma doença pouco conhecida, que não sabemos o tratamento adequado”, disse.

“Parte da população está achando que está de férias, fazendo atividades culturais, mantendo sua diversão e isso está atrapalhando bastante, contaminando as pessoas. A flexibilização tem um viés econômico diante da quebradeira que está acontecendo no País, mas acho que para salvar vidas vale a pena passar por essa quebradeira e depois consertar isso”, completou.


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