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/ “CUIABÁ NÃO É ILHA”

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25.06.2020 | 10h24
MPE: “Discurso de Emanuel é preconceituoso, incoerente e sectário”
Prefeito diz que pacientes do interior superlotam as UTIs na Capital e foi rebatido por chefe do MPE
Victor Ostetti
José Antônio Borges Pereira do MPE
CAMILA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

O procurador-geral de Justiça José Antônio Borges disse que o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) foi “preconceituoso” ao sugerir que as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) à pacientes da Covid-19 na Capital são suficientes para atender somente aos cuiabanos.

Emanuel - que é contra a quarentena coletiva decretada na Capital e em Várzea Grande – disse que de nada adiantará “trancar os cuiabanos” em casa, enquanto o interior continua “aberto” e mandando pacientes para serem internados em Cuiabá.

“Cuiabá não é uma ilha. Me admira o prefeito sabendo que aqui é uma cidade de serviços, uma Capital, um centro de referência de serviços de várias especialidades dizer que é só para atender cuiabanos. Não”, disse Borges ao MidiaNews.

“O prefeito Emanuel Pinheiro apresenta um discurso preconceituoso e sectário quando afirma que as UTIs de Cuiabá são suficientes para atender aos cuiabanos. Esquece-se que Cuiabá tem gestão plena do SUS”, emendou.

Cuiabá não é uma ilha. Me admira o prefeito sabendo que aqui é uma Capital, um centro de referência dizer que é só para atender cuiabanos. Esse discurso é preconceituoso e sectário

Na avaliação de Borges, o discurso adotado pelo prefeito serve apenas para reacender a divisão do Estado de Mato Grosso.

Ele afirmou, também, que, ao contrário do que tem sido alegado pelo Município, outras cidades no interior do Estado também têm feito ações drásticas no combate à pandemia, inclusive, adotando isolamentos mais severos.

“O prefeito de Cáceres, espontaneamente, fez o isolamento social. Não é lockdown. O isolamento preserva os serviços sociais e fecha os não essenciais. Isso vem ocorrendo em todo Estado. Rondonópolis também fez e cidades menores também estão fazendo”, disse.

“Onde tem resistência, os promotores estão entrando com as ações. Não só em Cuiabá e Várzea Grande”.

UTIs insuficientes

O procurador afirmou, ainda, que de nada adiantará dar prosseguimento a abertura de novos leitos de UTIs sem que as pessoas cumpram o isolamento social.

“Quando houve o primeiro isolamento social foi pensando: ‘Não temos UTIs e temos que nos estruturar para quando a pandemia estourar. O governador trabalhou nesse sentido, vários prefeitos, inclusive o Emanuel que foi muito rígido nesse sentido. Agora, pode ter 10 mil UTIs, sem isolamento não adianta nada, já que ainda não tem vacina para esse vírus”.

“A pandemia agora está estourando no Estado todo, a situação é grave, inclusive com questões que não são culpa dos nossos gestores, como a falta de sedativos. Independente disso, a Capital é sistema pleno e, em Cuiabá, já está apurada sua negligência, principalmente no antigo Pronto Socorro, onde foi feita uma reforma que o próprio TCE demonstrou várias inconformidades do que seria uma UTI. Então, essa é uma situação grave”, concluiu Borges.

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