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23.05.2019 | 17h59
Juiz intima 16 PMs para prestarem esclarecimentos em audiência
Audiência de instrução de assassinato de tenente do Bope será realizada em junho
Alair Ribeiro/MidiaJur
Os policiais militares Joailton Lopes, Werney Cavalcante Jovino e Lucélio Jacinto, acusados pela morte de Scheifer
CÍNTIA BORGES
DA REDAÇÃO

O juiz Marcos Faleiros, da 11º Vara Criminal da Justiça Militar, intimou 16 militares para comparecerem à audiência de instrução da ação pelo assassinato do tenente Carlos Henrique Paschiotto Scheifer, que ocorreu em maio de 2017.

São réus na ação os policiais militares Lucélio Gomes Jacinto, Joailton Lopes de Amorim e Werney Cavalcante Jovino.

A audiência está marcada para o dia 17 de junho, às 13h30, no Fórum da Capital.

As testemunhas arroladas são: major da PM Orlando Vinicius de Souza Coutinho; sub-tenente Leandro Zuqueti; 3º sargento Lucio Eli Morais; 1° sargento Domingos Sebastião Viana dos Santos; 1º sargento Leonildo Morbeques; major Carlos Evane Augusto; cabo Diogo Muzzi Busato; 1° sargento Paulo Damacena Meira; tenente-coronel Ronaldo Roque da Silva; tenente-coronel Januário Antônio Edwiges Batista; soldado Daniel Ortega Zanatta; 1º sargento Izaías Ferreira Lobo; 3º sargento Saulo Ramos Rodrigues; 3º sargento Maciel Alves da Conceição; soldado Wellington Bessa Alcântara da Silva; cabo do Bope Fernando de Souza Neves.

O crime ocorreu no dia 13 de maio de 2017 no Distrito de União do Norte, em Peixoto de Azevedo (a 691 km ao Norte de Cuiabá).

Somente após a balística descortinar que o disparo que atingira mortalmente o Ten Scheifer ter saído da arma de fogo portada pelo denunciado Cb PM Jacinto, que então mudando a versão de outrora, ele alegou ter se equivocado da pessoa do Ten Scheifer com a do suspeito

Os policiais estavam em uma missão na cidade para combater uma quadrilha do “Novo Cangaço”.

Segundo a denúncia, os policiais teriam matado o colega Scheifer para ocultar o assassinato de um acusado de roubo, identificado com Marconi Souza Santos.

Origem do conflito

Segundo o Ministério Público Estadual, os fatos começaram com a perseguição da viatura da Polícia Militar a dois automóveis - um Nissan Frontier e o outro um Mitsubishi L-200 Triton - nos quais estavam os suspeitos de roubo. A equipe da PM estava sob o comando da vítima. 

Na ocasião, um dos veículos acabou tomando rumo ignorado e o outro perdeu o controle na estrada, quando quatro de seus ocupantes já desceram fazendo vários disparos contra os policiais.

A tentativa de prender os assaltantes que, inicialmente, parecia ter sido frustrada, acabou obtendo êxito no dia seguinte com apoio de outros militares que atuavam em cidades próximas.

Um dos veículos foi localizado em um posto de combustível na cidade de Matupá e o condutor, identificado como Agnailton Souza dos Santos, foi preso.

Consta na denúncia que a partir das informações obtidas no interrogatório do acusado, a equipe de agentes liderada por Scheifer fez o cerco policial a um imóvel localizado em um bairro na cidade de Matupá, para prender outros suspeitos.    

Durante a ocorrência, um deles, que “supostamente” portava arma de fogo, teria tentado fugir e foi atingido por um disparo de fuzil pelo cabo Lucélio Gomes Jacinto, morrendo em seguida. 

“Conforme restou apurado nos presentes autos, a lavratura do supracitado boletim de ocorrência foi objeto de divergências e até mesmo de desentendimento entre a vítima, Ten Scheifer, e o denunciado Cb PM Lucélio Gomes Jacinto, pois, há fundadas suspeitas que fora inserida, no referido BO, declaração falsa, com o fim de alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante, no que diz respeito às circunstâncias da morte do indivíduo Marconi Souza Santos”, descreveu o promotor de Justiça Allan Sidney do Ó Souza.

Segundo ele, testemunhas relataram durante inquérito policial que presenciaram o desentendimento entre a equipe e o tenente Scheifer. Em um determinado momento, os denunciados teriam se reunido a portas fechadas para conversar sobre o ocorrido. 

Morte de Scheifer

No mesmo dia, durante diligência realizada no local do primeiro confronto com os ocupantes dos veículos, o tenente Scheifer foi atingido por um disparo na região abdominal.

Inicialmente, conforme o MPE, os colegas de farda sustentaram que a vítima havia sido atingida por disparo feito por um assaltante não identificado, que estaria em meio à mata, do outro lado da rodovia.

Após a realização do laudo pericial, ficou comprovado que o projétil alojado no corpo do tenente partiu de um fuzil portado pelo cabo Lucélio Jacinto. 

“Somente após a balística descortinar que o disparo que atingira mortalmente o Ten Scheifer ter saído da arma de fogo portada pelo denunciado Cb PM Jacinto, que então mudando a versão de outrora, ele alegou ter se equivocado da pessoa do Ten Scheifer com a do suspeito”, afirmou o promotor de Justiça.

Segundo ele, nenhuma das versões apresentadas pelo autor dos disparo foi plausível. “A vítima foi atacada frontalmente (o denunciado afirmara que ela estava de costas) e, em posição de descanso (quando não há perigo pela frente), embora o acusado assevere que o ofendido se apresentava em posição de tiro “vietnamita” (uma forma de posição de ataque”)”, sustentou.


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