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/ ARNALDO JUSTINO

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22.08.2019 | 11h00
Elogio à loucura
Só louco para ansiar ser governante; por isso, a loucura exige respeito
ARNALDO JUSTINO

Há muito tempo, Erasmo de Roterdã disse que se desse conta da responsabilidade, ninguém em sã consciência iria ter coragem de ser governante.

Ter que fazer leis e ser o primeiro a respeitá-las.

Ter consigo a ética sempre à frente do nariz para que se lembre sempre, com o intuito de nunca dela se distanciar, pois deve estar num pedestal servindo de exemplo aos demais.

Estou dizendo o que o corajoso religioso disse na Idade Média, com as adaptações necessárias.

Saber que a criancinha ou o idoso, este que tanto contribuiu para o progresso do Estado, está morrendo numa maca do pronto socorro por falta de vaga na UTI, e você governante deveria ter uma solução para que isso não ocorresse.

Saber que a criancinha ou o idoso, este que tanto contribuiu para o progresso do Estado, está morrendo numa maca do pronto socorro por falta de vaga na UTI, e você governante deveria ter uma solução para que isso não ocorresse

Ter consciência dos invencíveis problemas de segurança, educação e que sofrerá pressões de tudo quanto é lado para resolver todas as demandas.

Terá vorazes fiscais a esbravejar “eu te disse, eu te disse, deveria ter feito daquela maneira, não fez….”

Administrar os próprios bens pode gerar desconfiança dos familiares. Imagine gerir o bem alheio, fiscalizado por todos.

Diante de tanta responsabilidade, se tivesse consciência delas, não fosse a contribuição da loucura, não teria um sono tranquilo, levantaria várias vezes na noite a pensar ter achado a iluminação para solucionar um dos milhares de problemas, não podendo perder a oportunidade daquele momento de escrever a grande ideia, sob pena de correr o risco de na noite profunda esquecer os detalhes que poderiam colocar tudo a perder. Ter a visão de que deve exigir muito do povo, para cobrir o rombo que muitas almas errantes deixaram no patrimônio público em tempos passados.

Ter a consciência de que para melhorar as condições da comunidade, deve ser duro, ser odiado, não dar o que as corporações pedem, com a obrigação de a elas dar explicações e, sendo entendido ou não, ter o pulso firme de um pai com olhar zangado, fazendo-se respeitar, para que o rebento entenda que não há dinheiro, não há sobras para comprar os docinhos da sobremesa, senão o necessário para a sobrevivência da família.

Só louco para ansiar ser governante. Por isso, a loucura exige respeito e admiração.

Concito-vos, pois, a venerá-la, pois sem ela não haveria governantes, sem nunca olvidar que, sem ser insanos, muitos já estiveram à frente do governo e praticaram atos infames que esses loucos dos quais falo jamais fariam, pois, embora inconscientes do pesado fardo, jamais caminhariam por lugares que pudessem envergonhar suas mães.

ARNALDO JUSTINO DA SILVA é promotor de Justiça em Mato Grosso.


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