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/ DIOGO PÉCCORA

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23.01.2020 | 10h02
Goleiro Bruno - julgamento moral é eterno
Independente se você era contra ou a favor, a verdade é uma só, a contratação dele estava coberta de legalidade, simples assim!
DIOGO PÉCCORA

O assunto é polêmico e divide opiniões, a contratação do goleiro Bruno causou grande repercussão, mas e aí, quem estava com a razão?

Independente se você era contra ou a favor, a verdade é uma só, a contratação dele estava coberta de legalidade, simples assim!

O Sr. Bruno Fernandes está sujeito à aplicação da legislação penal brasileira, a qual permite que ele esteja hoje cumprindo sua pena em regime menos gravoso, sendo por consequência, natural e necessário que busque sua reinserção no mercado de trabalho, pois faz parte da ressocialização.

A ressocialização nada mais é do que trazer de volta para o convívio social aquele indivíduo que de alguma forma foi afastado desse convívio por ter praticado condutas reprováveis pela sociedade e/ou contrárias as normas positivadas.

Na análise da questão, é primordial lembrarmos sempre que estamos falando de um ser humano, que por mais grave e/ou cruel que seja o crime cometido ou mandado por ele, continua sendo um ser humano, o qual em razão das suas condutas já passou pelo Júri Popular onde é

A ressocialização nada mais é do que trazer de volta para o convívio social aquele indivíduo que de alguma forma foi afastado desse convívio por ter praticado condutas reprováveis pela sociedade

exercida a plenitude da defesa, ao final o Conselho de Sentença o condenou e está cumprindo sua pena.

De forma geral, por mais revolta que tais fatos possam ter causado, não podemos esquecer que aqui no Brasil a regra é a liberdade, a prisão é exceção. Se entendem que a legislação é permissiva demais e querem mudanças, se faz necessário movimentarem o Congresso Nacional, lá estão os legisladores, são eles os responsáveis pelo que está positivado.

Os argumentos favoráveis encontravam embasamento na legislação positivada, por sua vez, os desfavoráveis estavam embasados na questão moral, entre outras.

Dentre os argumentos de quem era desfavorável, chamou a atenção o fato de dizerem que o jogador de futebol cria idolatria e é exemplo para crianças, bem como que deveria voltar em outra profissão que não tivesse destaque.

Aí cabem os questionamentos: Qual é a razão de não poder voltar a jogar futebol profissionalmente?

Quer seja no Operário ou em qualquer outra equipe, desde que tiverem o interesse na contratação e a autorização judicial, ele estará apto para trabalhar, é o que sabe fazer.

O nosso ordenamento jurídico não exige que o apenado aprenda outro ofício para ser reinserido no mercado de trabalho.

Sobre a idolatria, que mal há nisso?

A idolatria, se ocorresse, certamente não seria pela vida pregressa do Sr. Bruno Fernandes e sim pelo que fizesse em campo.

Vivemos em democracia e quem quisesse que o tivesse como ídolo, afinal cada um é livre para decidir nesse sentido, idolatria inclusive que não é um privilégio do futebol, afinal sabemos que grande parte dos brasileiros idolatram diversas personalidades das mais variadas possíveis, inclusive políticos.

Quanto ao fato de ser exemplo, todos somos e temos vários exemplos ao nosso redor, cabe a cada um decidir de acordo com seus princípios éticos e morais, se é um exemplo bom ou ruim, se é um exemplo à ser seguido ou a não ser seguido, mas sempre será um exemplo.      

O Operário já desistiu oficialmente da contratação do goleiro Bruno, assim como anteriormente ocorreu com outras equipes, o que deixa cada vez mais claro que o julgamento penal já terminou, mas o julgamento moral infelizmente é eterno, porém precisa ter limites.

Diogo Pécora é advogado em Cuiabá-MT.


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