GILSON NASSER
DA REDAÇÃO
Às vésperas do primeiro turno, a campanha presidencial é marcada por uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Porém, na avaliação do cientista político Vinícius de Carvalho, o debate sobre ideias e propostas ficou aquém do esperado.
Em entrevista ao Podcast MídiaJur, Carvalho afirmou que a eleição apresenta baixo nível de discussão sobre gestão e políticas públicas, apesar da forte polarização entre os dois principais candidatos. Os escândalos relacionados ao STF (Supremo Tribunal Federal) e ao caso do Banco Master pautam mais as eleições do que as propostas para a população.
“Está muito fraca do ponto de vista de gestão, de política pública, porém está muito acirrada”, avaliou.
Para ele, em comparação com eleições anteriores, o atual processo decepcionou. “Uma eleição presidencial estranha, muito confusa, muito sem graça por outro lado também”, disse.
Carvalho também analisou o desempenho dos candidatos que tentaram se apresentar como alternativas à polarização entre lulismo e bolsonarismo. Segundo ele, o chamado "fracasso da terceira via" está relacionado à ausência de um programa político e de governo capaz de se colocar como alternativa viável para o país.
“Nenhum dos candidatos apresentou um projeto alternativo consistente de Brasil. O nível caiu muito da eleição de 2022 para cá”, afirmou.
O cientista político citou ainda o desempenho do escritor Augusto Cury (Avante), que chegou a registrar crescimento nas pesquisas, mas perdeu força ao longo da campanha. Na avaliação de Carvalho, faltou ao candidato uma mensagem clara de que poderia representar uma alternativa aos dois polos.
“Mostrou falta de conteúdo, não basta ter uma imagem”, disse, acrescentando que Cury “sai mais famoso do que entrou”.
Para Carvalho, a dificuldade de romper a polarização também está relacionada ao elevado patamar de votos alcançado por Lula e Flávio Bolsonaro. Na avaliação dele, os demais candidatos não conseguiram se apresentar como opções eleitoralmente viáveis nem construir um projeto capaz de disputar espaço com os dois principais nomes.
“Não basta ser um terceiro nome. É preciso apresentar um projeto e eles ficaram devendo. Foram candidatos muito ruins no conteúdo também”, afirmou.
BOLSONARISMO FORTE EM MATO GROSSO
Em Mato Grosso, Carvalho projeta um cenário diferente de outras regiões. No estado, Flávio Bolsonaro terá ampla vantagem sobre Lula.
Segundo o analista político, a campanha petista no Estado terá dificuldade para alcançar a meta de 38% a 42% dos votos válidos no primeiro turno. “Não chega nessa marca de 40%, vai ter essa dificuldade. Por conta do ambiente nacional e aqui em Mato Grosso são 50 tons de bolsonarismo”, afirmou.
O cientista político também relacionou o cenário estadual ao posicionamento de lideranças políticas locais, destacando que dois dos principais candidatos ao Governo de Mato Grosso apoiam Flávio Bolsonaro.
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