AMANDA PAIM
DA REDAÇÃO
O coronel do Exército, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias de prisão por supostamente ter financiado a morte do advogado Roberto Zampieri, em 2023, vai recorrer da decisão e pedir a anulação do júri. A condenação foi definida na madrugada desta sexta-feira (2), após 38 horas de julgamento.
Membro da bancada de defesa, o advogado Jayme Rodrigues afirmou em entrevista ao MídiaJur que respeita a decisão soberana dos jurados, mas considerou a condenação injusta.
"O Tribunal do Júri é uma decisão soberana. Pelas provas carreadas para esse processo, que não é um processo comum, é um processo de 50 mil páginas. Não posso reclamar da atuação dos jurados, porque como é que eu posso pegar sete pessoas, três dias antes, para julgar um processo de 50 mil páginas? Não dá para ler", disse.
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O advogado considerou injusta a condenação imposta pelo Tribunal do Júri e já apresentou recurso pedindo um novo julgamento. Segundo Jayme, os jurados decidiram conforme a consciência, mas a pena aplicada foi excessiva, pois o réu teria recebido qualificadoras que não lhe cabiam e por isso entrou com recurso e pede novo julgamento.
"Eu achei uma condenação que não foi justa, tanto é que já recorri da decisão. Em relação à pena, eu achei uma pena muito alta, porque o coronel pegou qualificadoras que ele não concorreu", declarou. "Nós vamos entrar pedindo a anulação do julgamento, pleitear o novo júri, porque entendemos que os jurados julgaram contra a prova dos autos", emendou.
A defesa também criticou a investigação conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso. Para Jayme, houve falhas nas perícias e linhas de investigação que não foram exploradas.
"Vamos anular, porque achamos que foi muito falha as perícias trazidas por esse processo. Durante as investigações, tinham outras linhas que não foram feitas. Poderiam ter sido investigadas outras pessoas. Eles adotaram uma linha quando tinha mais de 10", completou.
Durante seu depoimento no Tribunal do Júri, Caçadini falou sobre sua relação com Aníbal Manoel Laurindo, apontado pela investigação como mandante do assassinato de Zampieri.
Segundo o coronel, os dois se conheceram por meio da Frente Ampla Patriótica (FAP), movimento criado por ele em 2023 e que reunia integrantes para discutir temas políticos e institucionais no país.
Caçadini falou que se encontrou com Aníbal algumas vezes em Cuiabá e chegou a viajar com ele para Rondonópolis. No entanto, ele afirmou que nunca conversaram sobre Roberto Zampieri e que a ligação entre eles seria o movimento patriótico.
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