AMANDA PAIM
DA REDAÇÃO
A sanidade mental de Antônio Gomes da Silva, condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias de prisão por executar o advogado Roberto Zampieri em 2023, passou a ser questionada pela própria defesa após o comportamento dele no Tribunal do Júri nesta semana. A sentença foi definida na madrugada desta sexta-feira (02), em Cuiabá, com atenuante por confissão.
"Ele não é uma pessoa sã", avaliou o advogado Neyman Monteiro, que defende Antônio, em entrevista ao MídiaJur. Segundo ele, o cliente fugiu de toda a orientação e surpreendeu até mesmo a defesa com falas desconexas em plenário, e a estratégia inicial foi sendo modificada ao longo do julgamento, e as atitudes reafirmaram, para eles, a suspeita de insanidade.
"A gente tinha no início, há cinco dias do julgamento, tão apenas uma confissão para diminuir a pena. Durante o julgamento, foram surgindo provas de que o Antônio tinha um problema. Os depoimentos do Nilson, a ‘loucura’ era muito estranha", disse.
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A partir do que foi observado em plenário, a defesa chegou a uma conclusão sobre o estado mental do réu: "A gente tinha orientado ele, um depoimento normal, pequeno, e só responder as perguntas dos advogados. E aconteceu tudo aquilo que aconteceu. Então essa situação que aconteceu no plenário... vislumbrou-se que ele não é uma pessoa sã", reafirmou.
Por causa disso, a defesa fez na Tribuna um pedido de exame de insanidade mental, mas foi indeferido pelo juiz.
"Fizemos o pedido de insanidade. Foi indeferido. Tentamos usar como tese. Não conseguimos. Então a gente está estudando toda a possibilidade jurídica do que deverá ser feito", afirmou.
A defesa agora tem cinco dias para decidir se recorre.
"Nós estamos analisando. Será analisado o tipo de recurso que nós vamos fazer", finalizou.
Em seu interrogatório, Antônio deu versões contraditórias. Disse que agiu sozinho, como “justiceiro” para combater a corrupção, após saber que Zampieri seria um lobista influente no Judiciário, sobretudo em processos de terras.
Contou que passou um mês em Cuiabá e frequentou o escritório da vítima no Bosque da Saúde quase diariamente, se passando por capelão que teria um sobrinho interessado em terras.
Em outro momento, afirmou que recebeu pagamento para cometer o crime, mas se recusou a citar nomes. Depois, disse que "não havia mandantes".
Para o outro membro da bancada de defesa de Antônio, advogado Nilton Ribeiro, essas declarações mostram que o cliente não estaria com as faculdades mentais preservadas.
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