KATIANA PEREIRA
DO MIDIANEWS
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso determinou, por meio de decisão liminar, que os médicos da rede de Saúde de Cuiabá, que decretaram greve nesta segunda-feira (6), mantenham integralmente os serviços nas unidades sanitárias. A greve atinge os 86 postos de saúde, o Pronto-Socorro e seis policlínicas.
O desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha alegou que a Saúde é um serviço essencial e, portanto, não pode ser negligenciado. A decisão, de caráter provisório, foi deferida na noite de segunda-feira (6) e atende a um pedido formulado pela Procuradoria do Município, que argumentou que a medida visa a evitar prejuízos maiores à população. A assessoria jurídica do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindmed-MT) informou que a entidade ainda não foi notificadas e, portanto, a greve continua. Logo que a entidade for notificada oficialmente, os médicos irão cumprir a decisão, mas afirmaram que vão recorrer da decisão.
Greve
A decisão pela greve foi deliberada durante assembleia-geral da categoria, realizada no último dia 31. Ao MidiaNews, a presidente do Sindimed, Elza Queiroz, disse que a paralisação das atividades foi motivada pelo descumprimento de partes do acordo coletivo, firmado após a greve de 2009, que durou quase dois meses. A sindicalista informou que categoria cobra o pagamento de duas verbas indenizatórias atrasadas, que correspondem a 60% da remuneração.
O Sindimed alegou que o piso salarial pago pela Prefeitura é "revoltante" e está muito abaixo do valor referendado pela Federação Nacional dos Médicos (Fenam). O piso salarial proposto pela Fenam é de R$ 9,10 mil, por 20 horas trabalhadas. A Prefeitura paga R$ 2,2 mil, pelas 20 horas. A falta de estrutura nas unidades e a sensação de insegurança também são motivos de reclamações.
“Médicos estão apanhando, sofrendo agressões verbais. Ocorre que o cidadão vai procurar atendimento, as filas são enormes e a estrutura é péssima, eles ficam revoltados e descontam nos médicos. Falta até cadeira em alguns locais, está tudo sucateado”, disse a médica.
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