AMANDA PAIM
DA REDAÇÃO
Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, apontada como elo central de uma família de missionários com o Comando Vermelho em Cuiabá, desistiu da ação que moveu contra a Rede Globo para tentar derrubar a reportagem "Louvor e Crime", exibida pelo Fantástico no último domingo (13).
A tutela inibitória foi protocolada logo após a veiculação da matéria que expôs a atuação da família, que é acusada de ligação com a facção. Na ação, a defesa alegava que a reportagem usava dados sob segredo de justiça, fazia um julgamento antecipado, expunha menores de idade e acusava Rhavenna e o pai, Nivaldo Barcelos, de trabalhar para facção criminosa. Caso o conteúdo não fosse retirado das redes, pedia direito de resposta e multa de até R$ 300 mil em caso de descumprimento.
Contudo, horas depois, o advogado protocolou pedido de extinção por desistência, justificando erro na distribuição:
"RHAVENNNA BARCELOS CABEÇA DE ALMEIDA, já devidamente qualificado no processo em epígrafe, vem, por seu advogado, diante do equívoco na distribuição da presente demanda que deveria ser distribuído para análise do PLANTÃO JUDICIAL deste domingo 13/09/2026, sob pena da perda do objeto, requer a desistência da presente demanda", diz trecho do documento.
O caso da missionária ganhou repercussão nacional após a exibição da reportagem no Fantástico no domingo.
MP denuncia cinco de família dos "missionários do CV" e conselheiro final de facção
Rhavenna e mais quatro familiares são alvos de denúncia do Ministério Público de Mato Grosso por usar um projeto de evangelismo como fachada para o Comando Vermelho. Segundo o Gaeco, na Operação Fariseus, o grupo entrava em presídios com a “Equipe de Evangelismo Resgatando Vidas”, levava recados para presos faccionados, recebia dinheiro do crime e lavava os valores por meio de lotéricas e contas fracionadas.
Foram denunciados por organização criminosa e lavagem de dinheiro Rhavenna, a mãe Orminda Carlos de Barcelos Almeida, as irmãs Anatany Nina de Barcelos Souza Alves e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi e o primo Rhuan Barcelos da Conceição. Também foi denunciado Renildo Silva Rios, o “Veio”, “Velhote” ou “Chapa”, apontado como um dos fundadores da facção e namorado de Rhavenna.
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O pai de Rhavenna, Nivaldo de Almeida, não foi denunciado porque morreu de câncer no dia 5 de setembro de 2026.
Além dos seis, a Polícia Civil indiciou Wiara Lima Cadore, Karolina Lopes Padilha, Jéssi Mariane Araújo dos Anjos e Lais Barbosa Lopes por falso testemunho. Para elas, o MP deve propor Acordo de Não Persecução Penal em ação separada.
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