AMANDA PAIM
DA REDAÇÃO
Cinco pessoas da família dos "missionários do Comando Vermelho" foram denunciadas pelo Ministério Público de Mato Grosso por usar um projeto de evangelismo como fachada para integrar o Comando Vermelho. Segundo a investigação da Operação Fariseus, conduzida pelo Gaeco, o grupo levava recados para faccionados presos, recebia dinheiro do crime e lavava os valores por meio de lotéricas e contas fracionadas.
Foram denunciados por organização criminosa e lavagem de dinheiro: Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida; a mãe dela, Orminda Carlos de Barcelos Almeida; as irmãs Anatany Nina de Barcelos Souza Alves e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi; e o primo Rhuan Barcelos da Conceição.
Além deles, um dos fundadores da facção, Renildo Silva Rios, vulgo "Veio", "Velhote" e "Chapa", também está entre os denunciados. Ele é apontado como um dos namorados de Rhavenna.
O pai de Rhavenna, Nivaldo de Almeida, não foi denunciado porque morreu de câncer no dia 05 de setembro de 2026.
O caso ganhou repercussão após a família ser exposta no Fantástico, da TV Globo, neste domingo (13). A denúncia do MP é baseada em relatório da Polícia Civil e detalha como o grupo usava a "Equipe de Evangelismo Resgatando Vidas" para entrar em presídios.
Além dos seis, a Polícia Civil também indiciou Wiara Lima Cadore, Karolina Lopes Padilha, Jéssi Mariane Araújo dos Anjos e Lais Barbosa Lopes. Elas não foram denunciadas por organização criminosa, mas por falso testemunho. Para elas, o MP deve oferecer a possibilidade de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) em ação separada.
QUEM É QUEM NO ESQUEMA
Segundo o MP, Rhavenna era o elo central entre os missionários e a facção. Ela fazia a comunicação entre presos e faccionados soltos, ajudava com as necessidades dos presos e lavava o dinheiro. As extrações do iCloud mostraram que ela portava armas, incluindo pistolas, carabinas e um fuzil com as siglas da facção, e mantinha relacionamentos com lideranças do CV, como Jonas, vulgo "Batman", e Renildo, vulgo "Veio".
Renildo é apontado como "conselheiro final" do Comando Vermelho. Está preso na Penitenciária Central do Estado e tem 13 condenações que somam 76 anos, 2 meses e 24 dias de prisão. Mesmo preso, continuava comandando crimes e enviando valores à família.
Orminda, mãe de Rhavenna, fazia a intermediação entre presos e soltos e também lavava dinheiro. Foi fotografada portando um fuzil e, em conversas, falou em buscar armas no sítio da família para venda. Com ela, a polícia apreendeu R$ 10.900,00 em espécie.
Rhuan, primo de Rhavenna, guardava dinheiro em espécie em casa e depois entregava para ela. As conversas mostram que os valores eram pulverizados em várias contas para não gerar alerta bancário.
Anatany, irmã de Rhavenna, trabalhava em uma lotérica e depositava os valores nas contas indicadas, controlando os limites de cada conta.
Lo Rhuama, também irmã, movimentava valores ilícitos e recebia bens dos faccionados. Em diálogos, pediu um iPhone para "Batman" e um telhado novo para a casa como presente de Natal para Renildo.
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COMO FUNCIONAVA
De acordo com a denúncia, a família usava a equipe de evangelismo para facilitar o fluxo de informações entre presos e faccionados foragidos. Ao mesmo tempo, a Polícia Civil identificou uma rotina de luxo incompatível com a atividade religiosa.
"No Relatório nº 2025.13.69805 (ID nº 201731160, págs. 1 a 9), a polícia civil concluiu que o envolvimento entre a família e o CV-MT era verossímil. Isto porque, conforme as evidências colhidas, Rhavenna, que alegava ser praticante religiosa, fazia exposições em suas redes sociais (Instagram - principalmente) de uma vida com exacerbado luxo e frequentes visitas às favelas do Rio de Janeiro, sempre na presença de familiares de faccionados", diz trecho da denúncia.
O MP também detalhou quando cada um movimentou valores do esquema.
"entre 27/04/2024 a 16/07/2026, os denunciadas Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, Orminda Carlos de Barcelos Almeida e Renildo Silva Rios; b) entre 20/09/2025 a 19/03/2026 o denunciado Rhuan Barcelos da Conceição; c) entre 24/02/2025 a 15/04/2026 a denunciada Anatany Nina de Barcelos Souza Alves; e d) entre 27/07/2024 a 06/05/2026 a denunciada Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi movimentaram/ocultaram valores e bens provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal".
Na denúncia, o Ministério Público pede o recebimento da ação, a citação dos denunciados, a condenação ao final, a oitiva de testemunhas e o compartilhamento de provas com outros processos do Gaeco.
O MP também afirma que não vai oferecer acordo de não persecução penal aos seis denunciados por entender que, diante da gravidade, o acordo não seria suficiente para reprovar e prevenir os crimes.
VEJA A REPORTAGEM DO FANTÁSTICO SOBRE O ESQUEMA:
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