EZIO OJEDA
O nosso Estado Democrático de Direito permite a participação indireta do cidadão no comando de seu país. Os representantes legislativos alicerçam o exercício dos gestores que, também, por aqueles são fiscalizados... ou, pelo menos devem ser fiscalizados. Esta forma de gestão tem enormes vantagens quando o povo realmente usufrui do seu espaço. O Brasil como várias outras Nações (EUA,Colômbia, México, Argentina, etc), adotou o Presidencialismo para Sistema de Governo. Em harmonia com o Legislativo e o Judiciário, o Chefe de Estado, que acumula a função de Chefe de Governo, dirige a pátria. O Parlamento segmentado nas esferas Federal, Estadual e Municipal pode contribuir muito para o bem com um social.
Até meados do século XX, o trabalho de vereança não era remunerado no Brasil. Hoje, são raros os casos de países que pagam salários a estes postulantes municipais. A indignação popular é manifesta com certa frequência devido à insatisfatória performance de nossas Câmaras, repleta de escândalos e carente de projetos. E não estou tratando de coisa mirabolante, inalcançável. A nobreza do trabalho está nas pequenas ações. A Saúde Pública bem administrada, a dignidade no pagamento do funcionário público, a transparência no uso dos impostos e taxas, a urbanização das praças e ruas. Vamos esquecer essa história de "tapa-buracos"! Eu sonho um dia ver em minha querida Cuiabá apresentações de Orquestra Sinfônica ou grupos musicais, teatro ou dança nas praças. Nós somos desassistidosde atividades lúdica e cultural. Só saímos pra comer e beber, mais nada. Ah, é verdade, temos cinema, mas pago e caro! Queremos mais, merecemos muito mais!
Não me lembro, por exemplo, de ouvir nenhuma voz a gritar no púlpito do Largo da Forca (nome antigo dado ao local onde se encontra a nossa Casa cuiabana de Leis) contra o deságue gigante de lixo e podridão no Rio Cuiabá. Nossas ruas estão lotadas de mendigos que não conseguem ser reinseridos ao campo de trabalho e se afundam no alcoolismo como utópica solução de seus desgostos. Menores desamparados aumentam as estatísticas criminais e dão margem a equivocadas percepções de que deveriam ser criminalizados e punidos como os maiores, ao invés de receberem ajuda e apoio da sociedade. O vereador pode muito. Se bem intencionado e um tanto consciente de seu poder-dever, é capaz de transformar sua cidade. Não isoladamente, mas com articulações políticas, dando o rumo, outros seguem e fazem sua parte. Shakespeare dizia que se quisermos mudar o mundo, temos que começar pela nossa aldeia. Concordo plenamente.
São inúmeras as ideias que são passíveis de concretização e melhoria da população. Lazer nas praças, parceria com o Poder Judiciário na utilização do trabalho dos presos em Remissão de Pena é alternativa legal para as nossas dificuldades. Desde o próprio encarcerado que terá redução de seus dias na cadeia, até a comunidade que vislumbrará sua cidade mais bonita, todos teriam vantagens nesse empenho. Não são poucas as provas de que isto dá certo. Basta conhecer e colocar em prática. Em uma das cidades do interior do Mato Grosso, Pedra Preta, foi realizado este projeto na edificação de casas populares, onde estes condenados deram um show de boa vontade e ganhou-se notoriedade nacional sob a maestria do meu amigo Juiz de Direito, Dr José Lindote.
São iniciativas que dão resultado e requerem seriedade no desempenho de suas funções. O poder de um vereador é grande, maior ainda será o reconhecimento do cidadão que enxergar seriedade e comprometimento do seu representante.
Ezio Ojeda é médico, advogado, voluntário da igreja e candidato a vereador em Cuiabá
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