Pe. gaspar
Há momentos na vida em que percebemos quanto tempo, saúde, paz e alegria entregamos a pessoas e situações que, afinal, não mereciam tanto de nós.
Acontece nas amizades, acontece nas relações e, infelizmente, também acontece na Igreja, precisamente onde deveríamos encontrar mais verdade, humildade, fraternidade e espírito de serviço.
É então que aprendemos que menos é mais.
Menos preocupação com quem não nos respeita.
Menos espaço para amizades feitas de conveniência.
Menos palavras para quem só sabe criar ruído.
Menos energia para quem confunde proximidade com interesse e responsabilidade com poder.
Menos sofrimento por quem vive de aparências, protagonismo, oportunismo ou má-fé.
A amizade verdadeira não exige teatro. O serviço verdadeiro não procura aplausos. E uma responsabilidade na Igreja não é um privilégio nem um lugar de poder: é, antes de tudo, um compromisso com os outros.
Por isso, chega uma altura em que deixamos de explicar, de justificar e de responder a tudo.
Não por indiferença, mas por maturidade.
Há pessoas que merecem o nosso carinho, o nosso tempo e a nossa presença. Outras merecem apenas a distância que a nossa paz exige.
Não precisamos devolver a ninguém a mesma pequenez que recebemos. Podemos simplesmente seguir em frente, em silêncio, com a consciência tranquila e sem perder o melhor da nossa vida.
Menos ego. Menos ruído. Menos aparências.
Mais verdade. Mais amizade. Mais serviço. Mais fé. Mais vida.
Porque até na Igreja (talvez sobretudo na Igreja) não basta falar de Evangelho. É preciso vivê-lo.
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