THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO
O helicóptero do Centro Integrado de Operações Áreas (Ciopaer) encontrou o corpo de uma mulher na tarde desta quarta-feira (9), no Mirante do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães (65 km de Cuiabá).
A suspeita é de que a mulher seja a advogada Ariadne Wojcik, de 25 anos, que estava prestes a ser nomeada em um cargo comissionado no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
O delegado de Chapada dos Guimarães, Diego Alex Martimiano da Silva, confirmou ao MidiaNews que encontrou uma bolsa no local com os documentos de Ariadne, o que leva a crer que o corpo seja dela. Um tio dela acompanha os trabalhos.
Tripulantes do Ciopaer ainda tentam resgatar o corpo da mulher, que está em um local de díficil acesso.
"O helicóptero está pousado na parte de baixo para fazer a imobilização para retirá-lo de lá e levá-lo para cima", informou o tenente-coronel do Ciopaer, Henrique Santos.
Após a retirada, o corpo será levado para Instituto Médico Legal de Cuiabá para identificação.
A advogada sumiu após publicar uma mensagem no Facebook, às 7 horas desta quarta-feira (9), relatando um suposto abuso sofrido por um professor da Universidade de Brasília (UnB).
Na postagem, Ariadne, que fez Direito na UnB, relatou que começou a estagiar no escritório do professor e passou a ser "perseguida" por ele.
“Comecei no estágio novo super empolgada, eu achava aquele professor o máximo, extremamente inteligente, detalhista, perspicaz, minucioso, brilhante. Como poderia ser ruim? Até que as coisas começaram a ficar esquisitas, vários presentes injustificados, mensagens por WhatsApp totalmente fora do contexto do trabalho (P.ex: "sou seu fã", ou "você é demais") e fora de hora, muitas, muitas, muitas, perguntas de cunho pessoal. Na época eu desconfiava, mas pensava: acho que não, ele é professor da UnB, me deu 1 ano de aula, é procurador do DF, tem um currículo e uma reputação impecável, é casado, ele não faria isso”, escreveu.
“As coisas ficaram muito estranhas quando ele demonstrava que sabia todos os lugares onde eu ia, sabia o teor das minhas conversas por WhatsApp, com quem eu falava, sabia as páginas que eu acessava no meu computador pessoal”, relatou.
Na mensagem, Ariadne comenta que mesmo pedindo demissão - e conseguindo um emprego no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em Cuiabá, sua terra natal -, as perseguições teriam continuado.
“Eu achava que aqui, em Cuiabá, no emprego novo, na vida nova, eu estaria a salvo da perseguição dele, mas ele nunca desiste, nunca”, contou.
No fim, ela afirma que está “exausta” e que não tem mais forças para desvencilhar das "artimanhas" do agressor. Ela deixa transparecer também que sabe de negócios “obscuros” do ex-chefe e pede para alguém pará-lo.
“Que na próxima reencarnação eu possa fazer uso de todo aprendizado que tudo isso me trouxe, mesmo com tanta dor e sofrimento. Essa vida eu já não posso mais suportar, que Deus me perdoe e me entenda, mas ele já sabia, ele sempre sabe”, pontuou.
A reportagem procurou o Tribunal de Justiça. A assessoria de imprensa informou que Ariadne estava prestes a ser nomeada no órgão. "Faltava apenas ela assinar um documento", informou a assessoria. Ainda nesta manhã, servidores do TJ tentaram contato com a advogada, mas não conseguiram localizá-la.
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